Os Títulos em Planeta Terra

Foto por Vlada Karpovich em Pexels.com

Evitei por um bom tempo escrever este texto que vocês estão lendo neste exato momento. Porque o assunto abordado é bastante delicado e as reações que ele pode gerar dependerão muito do grau de sensibilidade em observar o que de fato “somos”. Deixo sempre a palavra “somos” entre aspas nos meus textos porque não “somos” nada, nós na verdade estamos!

Para o leitor compreender melhor o meu raciocínio sobre esse assunto eu parto do princípio em explicar que acredito em uma breve passagem terrena e compreendo a morte como mais um ciclo que foi cumprido e não como o fim de um ser.

Partindo desta premissa que encarnamos para viver um roteiro com o intuito de evoluir, nós estamos encarnados, nós estamos na terra, nós estamos humanos, nós estamos filhos de alguém, nós estamos pais de alguém, nós estamos profissionais num trabalho, nós estamos nos relacionando amorosamente com alguém, nós estamos moradores num bairro, nós estamos estudantes, nós estamos convivendo em sociedade, nós estamos passando por diversos momentos e sentimentos, nós sempre estamos, porque como ser humano existe um período, um prazo.

É muito claro entender que “estamos” e não “somos” porque há finitude da vida terrena, porque um dia não estarei mais interpretando este papel. Se eu me relaciono com alguém e depois finalizo este relacionamento, eu estava namorada, eu estava noiva, eu estava esposa; se eu posso ser e depois não ser mais, eu nunca fui, eu nem sou, eu apenas estou, pois estamos falando de um momento vivido nesta encarnação.

Foto por Jordan Benton em Pexels.com

Se eu trabalho e por qualquer motivo saio deste emprego ou cargo, eu estava um funcionário, eu estava um empresário, eu estava empregado, eu não era eu estava, agora não estou mais. Eu tinha uma grande amizade de anos e com o tempo fomos distanciando, então não éramos amigas, estávamos amigas, colegas, parceiras, e agora não estamos mais.

Mas quando o texto chega neste exato momento eu tenho algumas pessoas mais inflamadas emocionalmente que ficam chateadas com esse pensamento porque eles “são” mães e pais de alguém. Me falam que vão ser mães e pais para sempre, o romantismo do eterno! Serão eternamente mães e pais, pois é o maior amor do mundo então será eterno.

Eu compreendo essa inflamação de amor, e ela é de fato o maior sentimento em uma família, gerar um ser e cuidar dele, proteger, guiar, doar-se em prol do outro, sim isso é puro amor! Mas não confundam o período que isso ocorre com a intensidade do amor, aqui não estamos falando que o amor que sentem tem prazo, o amor sim é infinito, o que eu estou explicando é que você está mãe ou pai, e isso um dia vai mudar.

Quando se desencarna, elaboramos nas casas atrais nosso próximo encarne, e não necessariamente estaremos mãe daquele filho, muitas vezes em outra encarnação estaremos como esposa dele. Então mesmo o título de mãe e pai, é sim momentâneo. Você está mãe ou pai, você não é, tem uma finitude este “cargo”, mas o amor não, o amor que sentimos aqui nesta encarnação é aprendizado e é levado adiante mesmo após o desencarne.

O que eu quero fazer entender ou pelo menos pensar, é que somos atores nesta peça de teatro incrível chamada Vida, onde lidamos com situações diversas chamadas Cenários, e com pessoas diversas chamadas Coadjuvantes. Um dia a cortina se fechará, e o que levaremos deste espetáculo chamado Vida não será o que “fomos”, como os títulos de mãe, pai, chefe, funcionário, amigo, inimigo, vizinho, mestre, etc. Nós levaremos daqui apenas o aprendizado, os ensinamentos, a compreensão, os sentimentos, a vibração, a consciência!

Foto por cottonbro em Pexels.com

Se olharmos essa peça de teatro da Vida de forma mais aproximada, veremos que não se trata de chefe e funcionário, se trata de dois corpos com espíritos dentro deles com suas missões de aprendizado a serem cumpridas num curto espaço-tempo em planeta terra. Nesta vertente não há maior ou menor, mais importante e menos importante, aqui não há cargos, status, não há títulos!

Uma mãe e um filho, eles são iguais no mundo superior, dois espíritos que encarnaram para aprender e ensinar algo, cada um com sua estrada, seus roteiros; estão juntos para se ajudarem, mas aqui não há diferença alguma! Os dois têm o mesmo peso, a mesma importância, eles são iguais!

O mega empresário que é milionário e o senhor em condição de rua que vive próximo da minha casa são iguais para as casas astrais, eles encarnaram em corpos e em determinadas situações para aprender e ensinar algo, cada um interpretando o seu papel! Ninguém aqui é mais ou menos especial! Eles estão morador de rua, empresário, eles estão, portanto é temporário! O que não é temporário é o que eles farão com esse papel, o que não é temporário é o que eles viverão enquanto estiverem aqui na terra.

Agora que me fiz entender que de fato estamos, que estamos espíritos dentro de uma carne, e que somos todos iguais, espíritos habitando uma carne, podemos começar a falar sobre os títulos que nos colocam aqui na vida terrena.

Há muitos anos atrás, com a evolução do ser humano na terra, sentiu-se a necessidade de ordem, de organização desta espécie, e com isso vieram os títulos. Quando eu tenho um título, eu tenho uma responsabilidade, passo a ter deveres e direitos, eu terei que seguir uma cartilha para que a ordem seja mantida. Isso foi inventado pelo ser humano, não pelo mundo espiritual.

Foto por Susanne Jutzeler, suju-foto em Pexels.com

Vamos falar sobre alguns títulos para compreender melhor!

Se eu gero uma criança, me dão um novo nome, um título, eu passo agora a ser conhecida como “mãe”, e com este título da sociedade eu tenho cobranças para mantê-lo, eu preciso alimentar, cuidar, proteger, amar, conviver com este filho, que aliás também é um título, o filho tem que respeitar, aceitar, confiar, depender de seus pais e amá-los. Se isso não ocorrer da forma que a sociedade impõem, nós temos os julgamentos desse título, uma mãe desnaturada, uma mãe fria, uma mãe desleixada, um filho mal amado, um filho mal criado, um filho irresponsável, birrento.

Sim, a sociedade te dá títulos para te cobrar, e se você não se encaixar nos títulos será julgada pela sociedade também. Vamos para outro exemplo?

O chefe, o patrão, o dono da empresa, ele tem que mandar, que administrar, ordenar, dominar, e o funcionário por sua vez deve acatar, aceitar, fazer, executar, respeitar. Há aqui o título de superior e de inferior para que se estabeleça a ordem nesta empresa, eu mando e você obedece porque eu sou o chefe e você o subordinado. Se o chefe não tiver esta postura será julgado por ser mole, por ser bobo, por ser fraco, por não estar tão preparado para liderar uma equipe; assim como se um funcionário não se encaixar nesse título, será um péssimo colaborador, um revoltado, um malandro. Tudo que fugir dos títulos será algo a ser julgado pela sociedade porque pode destruir a ordem que foi pré-estabelecida.

Eu poderia ficar aqui horas e horas falando de títulos inventados pela sociedade para manter a ordem das coisas. Mas o motivo de eu fazer esse texto é mostrar que esta necessidade de colocar títulos para manter ordem é exatamente o que faz as pessoas adoecerem! A ordem da sociedade cria desordem do indivíduo.

Os títulos nos fizeram esquecer que somos iguais aos olhos do superior, esquecemos com o tempo que encarnamos para aprendizado e que indiferente das situações somos todos iguais, seres espirituais e energéticos habitando um pedaço de carne chamado corpo. Esquecemos isso, e no lugar desse vazio preenchemos com títulos!

Quem é você? Pergunta a sociedade, e respondemos rapidamente:

“Eu sou filho de…” / “Eu sou esposo de…” / “Eu sou o gerente na empresa…” / “Eu sou o amigo da…” / “Eu sou dono da…”

Foto por Ron Lach em Pexels.com

Entendo, mas me faz uma gentileza e retira os teus títulos, eu não quero saber o seu nome terreno, o seu cargo, o seu status econômico, quem é a tua família terrena tão importante, eu quero saber quem voce é?

É nessa simples pergunta que a maioria não sabe o que responder! Porque nos ensinaram a pertencer aos títulos. E voce por si, só por estar encarnado já é o real valor, o valor de estar vivo, agora, aqui na terra, aprendendo, ensinando, sentindo e evoluindo.

Esses títulos que eram para gerar crescimento e ordem na nossa sociedade começam a causar transtornos internos, porque é deles que começamos as comparações:

“Ela não é a dona do próprio negócio como o fulano…” / “Ela não é mãe como a fulana…” / “Ela não é tão bonita como a fulana…” / Ela não é tão inteligente como a fulana…” / “Ela não é rica como o fulano…” / “Ela não é graduada como a fulana…”

Se o ser humano que receber essa enxurrada de títulos e cobranças não tiver uma consciência do que de fato é e da sua importância neste mundo ele pira! Não é a toa que quanto mais o mundo evolui, mais o humano adoece. Porque a cada dia que passa há mais títulos sendo gerados e consequentemente mais cobranças! Se você não acompanhar isso tudo, adivinha? Você não é ninguém! Então, você acaba acreditando nisso, e vai se sentindo cada vez pior. Mas ninguém “é” nada, porque nós não “somos” nos ESTAMOS!

Escrevi este texto para que olhemos a nossa vida terrena até o dia de hoje, mas não olhe os títulos que adquiriu nesta vida, olhe tudo que você sentiu até aqui, quanto aprendizado, quantas pessoas passaram pela tua vida para te ensinar e para aprender algo com você, quanta troca de energia, quanto choro, quantas risadas, quantos gozos! Tudo que você já sentiu na pele, todos os sentimentos que afloraram em você até hoje, situações engraçadas e também as mais tristes e dolorosas que a tua carne humana pode sentir! Essa é a beleza de estar aqui!

Foto por EKATERINA BOLOVTSOVA em Pexels.com

Estamos encarnados para sentir, aprender e ensinar. Indiferente dos títulos que você tem hoje ou já teve, porque são de fato necessários para a sociedade funcionar, não se defina por eles! É aí que nos perdemos em nós! Os títulos existem, são importantes para mantermos a ordem das coisas terrenas, mas precisamos compreender que são temporários e não tem peso algum na vida astral. O que levaremos desta vida é a forma que a vivemos, com as pessoas, as situações, e com a gente mesmo.

Você é um espírito dentro de um pedaço de carne, que está agora nesta terra por um curto período de tempo para sentir, deixe vir a ti o que precisa vir, corra atrás do que acredita ser bom para você, não se compare a mais ninguém, faça o que te faz vibrar melhor e nunca mais esqueça que os títulos morrem e ficam junto com a carne podre enterrada aqui, o que continuará é o teu espírito e tudo que ele sentiu enquanto esteve aqui!

Para mim sempre foi muito clara estas duas citações bíblicas:

“Do pó viemos e ao pó voltaremos!”

“Todos somos iguais aos olhos de Deus!”

Não se defina pelos títulos, porque se fizer isso estará nas mãos da sociedade, e isso é um perigo! Espírito de luz dentro de um corpo terreno, você é igualzinho a mim e eu sou igualzinha a você, espíritos de luz encarnando para evoluir!

Sinto-me honrada de dividir este momento encarnada com você! Desejo que viva da forma mais justa, amável e leve possível dentro das situações que ocorrerem ao teu redor, pois é isso que levaremos daqui: as sensações!

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